sábado, 19 de dezembro de 2009

Discurso de Lula na COP-15.

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sessão plenária de debate informal na Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-15):

Copenhague-Dinamarca, 18 de dezembro de 2009

Senhor Presidente,
Senhor Secretário-Geral,
Senhores e senhoras chefes de Estado,
Senhores e senhores chefes de Governo,
Amigos e amigas,

Confesso a todos vocês que estou um pouco frustrado porque há muito tempo discutimos a questão do clima e, cada vez mais, constatamos que o problema é mais grave do que nós possamos imaginar.

Pensando em contribuir para a discussão nesta Conferência, o Brasil teve uma posição muito ousada. Apresentamos as nossas metas até 2020, assumimos um compromisso e aprovamos no Congresso Nacional, transformando em lei que o Brasil, até 2020, reduzirá as emissões de gases de efeito estufa de 36,1% a 38,9%, baseado em algumas coisas que nós consideramos importantes: mudança no sistema da agricultura brasileira; mudança no sistema siderúrgico brasileiro; mudança e aprimoramento da nossa matriz energética, que já é uma das mais limpas do mundo; e assumimos o compromisso de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020.

E fizemos isso construindo uma engenharia econômica que obrigará um país em desenvolvimento, com muitas dificuldades econômicas, a gastar até 2020 US$ 166 bilhões, o equivalente a US$ 16 bilhões por ano. Não é uma tarefa fácil, mas foi necessário tomar essas medidas para mostrar ao mundo que, com meias palavras e com barganhas, a gente não encontraria uma solução nesta Conferência de Copenhague.

Tive o prazer de participar ontem à noite, até às duas e meia da manhã, de uma reunião que, sinceramente, eu não esperava participar, porque era uma reunião onde tinha muitos chefes de Estado, figuras das mais proeminentes do mundo político e, sinceramente, submeter chefes de Estado a determinadas discussões como nós fizemos antes [ontem], há muito tempo eu não assistia.

Eu, ontem, estava na reunião e me lembrava do meu tempo de dirigente sindical, quando estávamos negociando com os empresários. E por que é que tivemos essas dificuldades? Porque nós não cuidamos antes de trabalhar com a responsabilidade com que era necessário trabalhar. A questão não é apenas dinheiro. Algumas pessoas pensam que apenas o dinheiro resolve o problema. Não resolveu no passado, não resolverá no presente e, muito menos, vai resolver no futuro. O dinheiro é importante e os países pobres precisam de dinheiro para manter o seu desenvolvimento, para preservar o meio ambiente, para cuidar das suas florestas. É verdade. Mas é importante que nós, os países em desenvolvimento e os países ricos, quando pensarmos no dinheiro, não pensemos que estamos fazendo um favor, não pensemos que estamos dando uma esmola, porque o dinheiro que vai ser colocado na mesa é o pagamento pela emissão de gases de efeito estufa feita durante dois séculos por quem teve o privilégio de se industrializar primeiro.

Não é uma barganha de quem tem dinheiro ou quem não tem dinheiro. É um compromisso mais sério, é um compromisso para saber se é verdadeiro ou não o que os cientistas estão dizendo, que o aquecimento global é irreversível. E, portanto, quem tem mais recursos e mais possibilidades precisa garantir a contribuição para proteger os mais necessitados.

Todo mundo se colocou de acordo que precisamos garantir os 2% de aquecimento global até 2050. Até aí, todos estamos de acordo. Todo mundo está consciente de que só é possível construirmos esse acordo se os países assumirem, com muita responsabilidade, as suas metas. E mesmo as metas, que deveriam ser uma coisa mais simples, tem muita gente querendo barganhar as metas. Todos nós poderíamos oferecer um pouco mais se tivéssemos assumido boa vontade nos últimos períodos.

Todos nós sabemos que é preciso, para manter o compromisso das metas e para manter o compromisso do financiamento, a gente, em qualquer documento que for aprovado aqui, a gente tem que manter os princípios adotados no Protocolo de Quioto e os princípios adotados na Convenção-Quadro. Porque é verdade que nós temos responsabilidades comuns, mas é verdade que elas são diferenciadas.

Eu não me esqueço nunca que quando tomei posse, em 2003, o meu compromisso era tentar garantir que cada brasileiro ou brasileira pudesse tomar café de manhã, almoçar e jantar. Para o mundo desenvolvido, isso era coisa do passado. Para a África, para a América Latina e para muitos países asiáticos, ainda é coisa do futuro. E isso está ligado à discussão que estamos fazendo aqui, porque não é discutir apenas a questão do clima. É discutir desenvolvimento e oportunidades para todos os países.

Eu tive conversas com líderes importantes e cheguei à conclusão de que era possível construir uma base política que pudesse explicar ao mundo que nós, presidentes, primeiros-ministros e especialistas, somos muito responsáveis e que iríamos encontrar uma solução. Ainda acredito, porque eu sou excessivamente otimista. Mas é preciso que a gente faça um jogo, não pensando em ganhar ou perder. É verdade que os países que derem dinheiro têm o direito de exigir a transparência, têm direito até de exigir o cumprimento da política que foi financiada. Mas é verdade que nós precisamos tomar muito cuidado com essa intrusão nos países em desenvolvimento e nos países mais pobres. A experiência que nós temos, seja do Fundo Monetário Internacional ou seja do Banco Mundial nos nossos países, não é recomendável que continue a acontecer no século XXI.

O que nós precisamos... e vou dizer, de público, uma coisa que eu não disse ainda no meu país, não disse à minha bancada e não disse ao meu Congresso: se for necessário fazer um sacrifício a mais, o Brasil está disposto a colocar dinheiro também para ajudar os outros países. Estamos dispostos a participar do financiamento se nós nos colocarmos de acordo numa proposta final, aqui neste encontro.

Agora, o que nós não estamos de acordo é que as figuras mais importantes do planeta Terra assinem qualquer documento, para dizer que nós assinamos documento. Eu adoraria sair daqui com o documento mais perfeito do mundo assinado. Mas se não tivemos condições de fazer até agora – eu não sei, meu querido companheiro Rasmussen, meu companheiro Ban Ki-moon – se a gente não conseguiu fazer até agora esse documento, eu não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até a hora de agora. Não sei.

Eu acredito, como eu acredito em Deus, eu acredito em milagre, ele pode acontecer, e quero fazer parte dele. Mas, para que esse milagre aconteça, nós precisamos levar em conta que teve dois grupos trabalhando os documentos aqui, que nós não podemos esquecer. Portanto, o documento é muito importante, dos grupos aqui.

Segundo, que a gente possa fazer um documento político para servir de base de guarda-chuva, também é possível fazer, se a gente entender três coisas: primeiro, Quioto, Convenção-Quadro, MRV, não podem adentrar a soberania dos países – cada país tem que ter a competência de se autofiscalizar – e, ao mesmo tempo, que o dinheiro seja colocado para os países efetivamente mais pobres.

O Brasil não veio barganhar. As nossas metas não precisam de dinheiro externo. Nós iremos fazer com os nossos recursos, mas estamos dispostos a dar um passo a mais se a gente conseguir resolver o problema que vai atender, primeiro, a manutenção do desenvolvimento dos países em desenvolvimento. Nós passamos um século sem crescer, enquanto outros cresciam muito. Agora que nós começamos a crescer, não é justo que voltemos a fazer sacrifício.

No Brasil ainda tem muitos pobres. No Brasil tem muitos pobres, na África tem muitos pobres, na Índia e na China tem muitos pobres. E nós também compreendemos o papel dos países mais ricos. Eles, também, não podem ser aqueles que vão nos salvar. O que nós queremos é apenas, conjuntamente, ricos e pobres, estabelecer um ponto comum que nos permita sair daqui, orgulhosamente, dizendo aos quatro cantos do mundo que nós estamos preocupados em preservar o futuro do planeta Terra sem o sacrifício da sua principal espécie, que são homens, mulheres e crianças que vivem neste mundo.

Muito obrigado.

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Fonte: http://www.cop15brazil.gov.br/pt-BR/?page=noticias/discurso-lula-transcria-aao_cop15

Acesso: 19 de dezembro de 2009 às 03:15hs.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Lula, Jesus e Judas...

Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, dia 22 de outubro de 2009, Lula soltou mais e mais "pérolas":

"Kennedy Alencar - Nunca se sentiu incomodado por ter feito alguma concessão?

Lula - Nunca me senti incomodado. Nunca fiz concessão política. Faço acordo. Uma forma de evitar a montagem do governo é ficar dizendo que vai encher de petista. O que a oposição quer dizer com isso. Era para deixar quem estava. O PSDB e o PFL (hoje DEM) queriam deixar nos cargos quem já estava lá. Quem vier para cá não montará governo fora da realidade política. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.

Kennedy Alencar - Zelaya completou completou um mês na embaixada brasileira fazendo política interna. Não foi longe demais?

Lula - Só tem um exagero em Honduras. É o golpista.

Kennedy Alencar - A imprensa não tem de ser fiscal do poder?

Lula - Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas. A imprensa tem de ser o grande órgão informador da opinião pública. Essa informação pode ser de elogios ao governo, de denúncias sobre o governo, de outros assuntos. A única que peço a Deus é que a imprensa informe da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas nos editoriais."

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u641276.shtml

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sábado, 26 de setembro de 2009

Qual é o crime de propor um plebiscito?

“O que eu sei é que o cidadão é o presidente de Honduras até terminar o seu mandato. Se ele estava propondo um plebiscito, qual é o crime de propor um plebiscito? Não adiante tentar procurar qualquer justificativa, porque não tem. O presidente foi eleito democraticamente, e ele foi tirado à força, de madrugada, do seu país”, disse Lula, à Rede Globo, no último dia 24 (assista aqui).

Essa questão não pode ser analisada de acordo com nossa realidade, pois o modo de avaliar-se a conduta de uma pessoa pode variar muito de acordo com a cultura e ordenamento jurídico da sociedade na qual um determinado evento danoso acontece.

Analisando-se a situação de Honduras pelo prisma conceitual substancial, na esfera delituosa, houve uma grande ameaça à sociedade hondurenha: a reeleição. Um breve estudo da história deste país demonstra uma sucessão de períodos ditatoriais e de instabilidade econômico-político-social, sendo a vigente Constituição hondurenha promulgada, em 1982, com a ajuda dos Estados Unidos, justamente com a grande finalidade de aumentar-se a democracia no país. Tal conduta de Zelaya mostra-se grave pois afronta diretamente o espírito soberano democrático que o elegeu.

Do ponto de vista formal do fenômeno do delito, Zelaya, ao tentar promover repetidas vezes o instituto da reeleição, age de forma a ferir a Constituição de Honduras, que é muito clara para tipificar tal conduta:

ARTICULO 42. La calidad de ciudadano se pierde:

5. Por incitar, promover o apoyar el continuismo o la reelección del Presidente de la República;

ARTICULO 239. El ciudadano que haya desempeñado la titularidad del Poder Ejecutivo no podrá ser Presidente o Designado.

El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, así como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente, cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos, y quedarán inhabilitados por diez años para el ejercicio de toda función pública.

ARTICULO 374. No podrán reformarse, en ningún caso, el artículo anterior, el presente artículo, los artículos constitucionales que se refieren a la forma de gobierno, al territorio nacional, al período presidencial, a la prohibición para ser nuevamente Presidente de la República, el ciudadano que lo haya desempeñado bajo cualquier título y el referente a quienes no pueden ser Presidentes de la República por el período subsiguiente. (fonte: Congreso Nacional de Honduras)

Diante do exposto, como pode o Presidente da República Federativa do Brasil apoiar, de maneira tão irrestrita e inquestionável, o líder de uma nação que se aproveita de suspiros da democracia para chegar ao poder e tenta, posteriormente, através de ardís jurídicos, perpetuar-se no poder, seguindo esta febre sulamericana, afrontando todo um passado recente de sofrimento e ditadura?

Lula, como exemplo, deveria olhar para o próprio umbigo, no sentido de abolir a reeleição do ordenamento jurídico brasileiro.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Uma mão lava a outra?

Evo Morales com dedo em riste e Lula quieto. A imprensa política nacional e internacional questiona uma conduta excessivamente passiva "brasileira" e temos um começo da elucidação tempos depois: a tentativa de dar uma mordidinha no precioso lítio boliviano.
Agora, sementes políticas começam a dar frutos...
Lula manda e o PT obdece: a postura oficial é apoiar Sarney. Tal fato foi capaz de causar consideráveis "rachaduras" na estrutura do partido, inclusive com a pseudo saída de Mercadante, mas o apoio se mantém e Sarney se fixa de modo "notável" na cadeira da presidência do Senado.
Na seqüência, em data limítrofe, prevêndo-se um crescimento de 4,5 ou 5% para o próximo ano, são propostas majorações consideráveis no orçamento da União (crise mundial é bobagem, a eterna marola-tsunami) como, por exemplo, 8 bilhões de impacto com o aumento do salário-mínimo; 23,44 bilhões para o PAC (programa de Aceleração do Crescimento), o maior montante investido no programa, terreno da Dilma Rousseff; 56,8 mil vagas para o setor público (que podem aumentar para 77,7 mil) que causariam um impacto de 2,17 bilhões no orçamento e etc etc etc...

A Lei Orçamentária Anual (LOA), contendo todas essas medidas majoradoras de salários, cargos públicos e dinheiro para o PAC, que a surtirão efeito imediato em ano eleitoral, estão nas mãos do Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado da República Federativa do Brasil: Sarney.
Essa Lei irá "passar" pelo Senado? A oposição repudia e chora. Alguém possui alguma dúvida?
Matérias relacionadas: Estadão, O Globo, G1(Globo), G1(Globo), Estadão.

sábado, 22 de agosto de 2009

Agora tá explicado...

Não foi por mera obra de generosidade ou incapacidade que o governo de Lula engoliu alguns sapos por causa de Evo Morales e seu precioso gás.

Um olho no gato e outro no peixe.

Hoje, em encontro entre os dois, ao ser confirmado o empréstimo de 323 milhões de dólares para construção de estrada que vai ligar os oceanos Atlântico e Pacífico, foi assinado um "memorando de entendimento" para que o Brasil participe da exploração de Lítio na Bolívia, onde estão as maiores reservas deste metal no mundo...

Matérias relacionadas: Estadão, AFP e G1(Globo).

Questionamento absolutamente intrigante!

Uma questão um tanto peculiar foi levantada pelo jornalista Marcos Savoy em seu blog http://msavoy.zip.net no último dia 18 de agosto:

"Desde o início da divulgação da epidemia envolvendo a Gripe Suína - H1N1 - já faleceu algum morador de rua? Se nenhum morador de rua faleceu, qul é o segredo? Se faleceu algum morador de rua por quê ninguém noticiou?"

Na teoria (e ainda mais na prática) essas pessoas já sensibilizadas, em condições desumanas de vida, seriam a parte mais frágil no que diz respeito ao contágio.

Boa saúde ou exclusão absoluta?

Repito o pedido do jornalista: "Qualquer informação escreva para o e-mail: reportersavoy@hotmail.com" (mande uma cópia para mim! rs)

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